A Profissão de Coach: Verdades e Mentiras

Você conhece alguma pessoa que agora tornou-se um Coach? Com certeza, muitos diriam sim. Nos últimos anos houve uma forte propagação do termo Coaching. Muitas escolas de formação instalaram-se e ofereceram ao mercado diversas possibilidades de certificação e preparo para esta profissão – não regulamentada – e ainda jovem.

Tive a honra de trabalhar nos últimos anos com Tim Gallwey – reconhecido mundialmente como um dos precursores do Coaching moderno, e a pessoa que levou este conceito à grandes corporações.

Olhando para o cenário atual desta profissão, vejo algo ainda muito nebuloso. O número de pessoas interessadas em conhecer mais sobre o assunto e transformar-se em um profissional da área vem crescendo absurdamente.

É fácil comprovar isto. A palavra Coaching é um dos termos mais valorizados quando se fala de anúncios no Google. Muitas pessoas que atuavam em distintas áreas: consultores, terapeutas, psicólogos, personal trainers, migraram, ou pelo menos, consideraram oferecer serviços de Coaching como alternativas aos seus trabalhos já prestados.

Mas isto pode não ser totalmente positivo. Um número muito baixo, eu diria que menos de 3% das pessoas que investem tempo e dinheiro para formar-se Coach acabam obtendo sucesso e entrando na profissão. Dados recentes da ICF – International Coach Federation – entidade que tenta manter a profissão dentro de padrões mínimos de qualidade, apontam que existem aproximadamente 40.000 Coaches atuantes no mundo. Este número é insignificante perto do número de vagas ofertadas todos os dias pelas centenas de escolas oferecendo cursos de formação.

Este fato se dá por diversas distintas razões. A primeira delas é a não adaptação do profissional ao método aprendido. Diversas formações baseiam seus modelos em formatos mecanicistas. Faça isso, depois aquilo, aplique esta ferramenta, depois aquela. Ou seja, tratam o processo de coaching como algo padrão e isto é péssimo. Os clientes são diferentes e portanto merecem uma abordagem diferenciada.

A maior reclamação dos alunos que passaram por esse tipo de formação está ligada ao fato de ter que se enquadrar dentro de um formato não condizente com o momento de cada cliente. O processo gessado leva ao caos as conversas de Coaching. Muitos Coaches recém formados não passam de seu segundo atendimento pago.

Outro paradigma que devemos observar diz respeito a quanto um Coach pode ganhar. Para conseguir mais clientes é óbvio que os anúncios procuram mostrar aos futuros clientes as grandes vantagens da nova profissão.

“Uma profissão que você pode exercer em sua casa, com pouco investimento, e ganhos significativos. Você mesmo faz a sua agenda e trabalha quando quiser.”

A frase acima poderia ser mote para anunciar um curso de formação em Coaching. Muito atrativo, concorda? E ele pode ser 100% verdadeiro, ou não. A resposta depende de muitas variáveis. Nicho de mercado, experiência, habilidade, tipo de formação, credibilidade, esforço, marketing, imagem pessoal, entre tantas outras.

Cabe dizer que ser um Coach requer certa sabedoria para acreditar e colocar foco nos potenciais da profissão sabendo manter à distância falsas verdades que não nos levam a lugar nenhum.

Quando isso não ocorre, o Coaching passa a ser banalizado.

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