O CEO e a Solidão

Brian dirige uma organização gigante, que emprega milhares de profissionais. Suas decisões diárias podem gerar milhões de faturamento ou criar grandes problemas. Periodicamente, Brian reune-se com o conselho de administração para apresentar os resultados e suas estratégias.

Ocupando o cargo mais alto da empresa, ele compartilha suas decisões com alguns membros mais próximos de sua equipe, mas isso não é o bastante para tirar Brian de seu estado de ostracismo. Sua solidão na gestão dos negócios é um fato. Ele limita-se a conversar com sua rede de contatos, geralmente compostas por outros executivos de outras empresas. Almoços de negócios servem para que Brian possa trocar ideias com colegas, todos de fora de sua organização.

Mas não pensem que ele é o tipo de gestor que gosta e cria o isolamento de modo consciente, na verdade isto acaba ocorrendo por diversos fatores distintos. Um dos mais interessantes, refere-se ao nível de confiabilidade das informações que sua equipe fornece. Muitas destas informações somente chegam até Brian após vários filtros terem sido aplicados. No fundo ele percebe que as pessoas nem sempre contam toda a verdade dos fatos. Lógico que existem também os bajuladores que o apoiam sem restrições. Brian percebe isto facilmente. Muitas vezes ele sente falta de alguém que seja um contraponto, aquele que questione suas atitudes e até diga não para determinadas ideias. Mas infelizmente, a política cultural da empresa não permite tamanha abertura. Mesmo que Brian peça sempre a opinião sincera de sua equipe, ele sabe que isso acontece apenas parcialmente.

Existem dois tipos de “Brians” – aquele que sofre muito com isso, mas aceita e continua seu reinado no alto de seu castelo, e o segundo – o que busca alguma ajuda externa. Mentores cada vez são mais usados para dar suporte à CEO’s em abandono.

Talvez exista ainda uma outra saída, mais desafiadora. Como seria se a organização tivesse um “conselho” para decisões menores do dia-a-dia, não estou me referindo às decisões que cabem ao conselho administrativo tomar. Gosto de um termo usado pela geração da tecnologia de desenvolvimento de games. Eles chamam isso de co-op. Ou seja, algo onde a co-operação ocorre. O CEO continua com sua missão de decidir, entretanto existe uma co-operação que alimenta de informações este processo. O Management Co-op pode ser uma excelente alternativa para tirar altos executivos da posição desconfortável da solidão. Qual tipo de Brian você prefere ser?

PS- O nome Brian no texto é fictício, quaisquer semelhanças são meras coincidências.

 

Source: Exame Blog