Aonde está o verde e amarelo?

Esta semana estive presente em três importantes sedes da Copa do Mundo: São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. O movimento da instalação da Copa do Mundo é evidente nos aeroportos. Em São Paulo embarquei em um anexo (ou “puxadinho”) do aeroporto. Lotado de pessoas sem espaço para aguardar e pessoal de atendimento tenso e confuso. Em BH, ao sair da área de coleta de bagagens, me deparo um um trator, sim um trator carregando areia para outra área do terminal. Em Brasília o comandante, pede desculpas e explica que a chegada ao terminal irá demorar pois a aeronave deve passar por uma área que deve aguardar orientações especiais pois está próxima de uma pista de decolagem. Mas estas situações são aparentemente normais. Uma das formas de me distrair durante estas visitas a trabalho aos lugares questionar a população local: taxistas, garçons, profissionais locais de outras áreas, sobre como eles sentem e observam os fatos da atualidade. É uma espécie de pesquisa de opinião, informal, mas sempre poderosa, e gratuita.
O resultado destes questionamentos, muitas vezes, caem em local comum: política, péssimo uso dos recursos públicos, uma ou outra análise mais emocional, mas quase sempre os comentários abordam coisas que são promovidas pela mídia nacional. Poucas novidades, entretanto, são válidas para entender o quanto cada participante da sociedade enxerga o momento do país. Mas o que mais me chamou a atenção esta semana foi um taxista de Brasília que me fez uma ótima pergunta. Depois de falarmos um pouco sobre as obras da Copa do Mundo e da infra-estrutura prometida há anos atrás, ele apenas me disse: – O sr. percebeu como a Copa do Mundo está morta no Brasil?
Com meu olhar crítico eu já pensei em números, desempenhos, estádios vazios, hotéis amargando prejuízos, entre outras coisas. Mas ele rapidamente saciou minha curiosidade. – O sr. já viu alguma rua pintada lá em São Paulo? Verde e amarelo? Nomes dos jogadores estampados em camisas? Camisas e bandeiras vendidas em semáforos? Nada, estamos mortos. E ele continua. Será que finalmente nós estamos conscientes que o país não pode viver somente de futebol e carnaval?
Tive vontade de parar o táxi e sair andando para refletir. Fiquei um pouco preocupado e deslocado com a posição firme daquele brasileiro, travestido de analista político, mas com um tom perfeito de realidade.
Comecei a pensar, e não contente, conversei com alguns amigos sobre suas observações. Um deles, que mora em São Paulo, relata que a “turma dos faróis” retirou do rol de produtos ofertados bandeiras e camisas verde-amarelas, simplesmente porque, as pessoas além de não comprar, ainda pressionavam os ambulantes para não oferecer produtos que poderiam “apoiar” o mais importante evento planejado para 2014.
Passei a observar as ruas, lojas e o cenário urbano. Infelizmente o azul, verde ou amarelo estão apagados. Um outro colega me lembra das manifestações de apoio do povo da África do Sul meses antes da Copa passada, referenciando a conquista pelo evento e abrindo o peito para receber os aficionados do Futebol.
Pelo jeito, exceto pelos inúmeros pseudo especialistas no futebol, ex-jogadores, técnicos, narradores, que cumprem suas funções em focar apenas no jogo, os torcedores em geral e a população ainda não entraram no clima gostoso do mundial. Será que essa é uma boa notícia? Será que estamos pensando no “day after”? Nas contas? Obras inacabadas? Quantias absurdas alocadas? O que sobra para os comuns? Dívidas?
Mas mesmo assim, sentimos a falta do espirito verde-amarelo e da esperança. Será que, simplesmente decidimos sair da posição de adormecidos em “berço esplêndido”? Ou apenas estamos esperando a primeira vitória para comemorarmos e saírmos às ruas festejando? Só nos resta esperar.