Por que as Equipes se Dividem?

Você possui uma equipe de trabalho, dez, quinze, talvez cem pessoas. Habilidades diferentes, perfis diferentes, níveis de conhecimento e liderança distintos.
Você tem objetivos claros e tenta transmiti-los todos os dias a essas pessoas. As regras de conduta são claras, as formas de alcance dos objetivos estão estabelecidas e são efetivas.
Ao final do trabalho você percebe que algo deu errado. Nem tudo saiu como o esperado, parte de seu time realizou suas tarefas conforme planejado (por você), outros nem tanto. Você percebe que seu grupo não está alinhado plenamente.
Essa situação é muito comum em processos de liderança e podemos pensar em diversas causas aparentes para o fato. Comunicação falha, estilos de liderança, motivação momentânea, divisão de poder, falta de interesse, falta de aprendizado, e tantas outras.
Mas existe uma, muito importante, que por vezes não é considerada e ao ser deixada de lado, leva o líder à beira do abismo.
Trata-se da “divisão de grupos”. Simples e objetivamente, a quebra do elo da cadeia de ligação estrutural da equipe.
Ela é uma doença silenciosa. Não é aparente, apenas nasce e cresce rapidamente. As principais causas dessa terrível doença são ego, proteção e poder.
O grupo de adultos, muitas vezes profissionais de primeira linha, super preparados, começam a jogar um velho jogo do tempo onde eram crianças. Basta alguma discordância ocorrer e algum líder natural tomar partido desencadeia-se o problema. Logo alguns estarão tomando partido, e a divisão ocorre. Como ela não pode ser explicita pois as regras sociais corporativas não permitem, joga-se um jogo de máscaras, não aparente apenas latente.
O problema aumenta quando as forças internas começam a ganhar intensidade, apoio, debates, e novas ideias. Dependendo da maturidade ou fragilidade do grupo, isso pode tomar corpo e muitas vezes a ruptura do grupo acontece rapidamente transformando-se em guerra.
Qual a melhor saída para esse imenso desafio? Observar, observar, observar. Geralmente os líderes estão muito ocupados para entender o que acontece nos meandros de suas equipes, outras vezes são contaminados e quando percebem já fazem parte de uma facção dele, e muitas vezes começam eles mesmos a incentivar, de modo inconsciente, essa ruptura.
Observar e medir a temperatura dos momentos da equipe é vital. Prestar atenção às palavras, o tom de voz, ironias, perguntas rudes, egos, vontade imensa de estar a frente, excesso de competição é um ótimo começo.
Divisão de grupos é hoje um dos grandes componentes do Jogo Interior das Corporações. Vale a pena pensarmos e entendermos como devemos atuar nesse jogo complexo.