O Novo CEO da Igreja

Estamos vivendo um dos maiores processos de seleção que a história dos últimos séculos pode ter registrado. A igreja procura um novo “executivo” para assumir seu comando. Uma organização poderosa e enraizada em todo o planeta busca a pessoa certa para o momento certo. O novo gestor deve reger a impressionante quantia de mais de 1 bilhão de seguidores regidos pela fé. Mas esses são meros clientes, talvez o grande desafio seja a gestão interna de conflitos, questões éticas e mudanças urgentes de políticas que evitem um colapso sistêmico vivenciado pela Igreja nos últimos dez anos.
Na contramão do business, o grande gestor do Vaticano não devia, até então, renunciar ao seu cargo, apesar disso não ter sido algo inédito. A expectativa é que esse gestor defenda sua posição até a morte. Mas a sucessão em uma nação tão poderosa, assim como em grandes corporações, é regida por muita política e guerra de bastidores. O novo CEO deve, além de atender aos anseios internos, reverter um quadro instalado há muitos anos de perda de fiéis para outros segmentos da fé. O novo gestor não pode ser apenas um técnico religioso, mas deve ser um carismático articulista que consiga rapidamente reverter um quadro crítico e de crise.
Digo rapidamente pois os fortes candidatos ao cargo tem minimamente idade superior aos 70 anos. Parece que uma pressuposição desse modelo está baseada em preparo pela vivência, ou pelos anos de dedicação à uma causa. Voltamos ao dilema do “No Pain No Gain”.
Como seria um sucessor com 30 ou 40 anos? Como seria o choque de gerações dentro da Igreja? Recentemente assisti alguns membros do Vaticano apenas declarar não preparados, mesmo estes terem mais de 60 anos de idade. Ora se eles não estão preparados nessa fase da vida é por que são incompetentes ou assumem sua zona de conforto perante um desafio.
A medicina tem tornado as coisas muito mais fáceis. As pessoas chegam aos 70, 80 ou quase 90 muito lúcidas e em boa forma. Mas isso não é regra geral. A Igreja possui acionistas? Acredito que sim, e muitos. Será que esses acionistas concordam com esse pensamento obtuso de escolher um seleto grupo de anciões para reger suas ações futuras? Talvez sim , talvez não.
Uma coisa é certa, o novo CEO da Igreja agora tem também o direito de pedir as contas, na hora que bem entender. Passa a fazer parte do jogo.

Source: Exame Blog